segunda-feira, 13 de dezembro de 2010


            Ele se foi. Tudo o que ela sabia era que ele se foi. Ela não sabia o porquê e nem se voltaria. Seu coração alimentava meio que ao mesmo tempo o desespero e a esperança. Ele havia partido sem deixar um bilhete sequer. Poderia estar com pressa, poderia ter a deixado, poderia não ser bom em despedidas, poderia não ter gostado, poderia ter ido buscar o café e se perdeu, poderia uma infinidade de possibilidades que ela e sua mente criavam. E o tempo passava de forma em que os segundos pareciam minutos e os minutos, horas. Pensou em ir procurá-lo mas tinha medo de que ele voltasse e eles se desencontrassem. Todo aquele turbilhão de sentimentos eram muito novos a ela que sempre fora tão frágil e tão forte, embora não soubesse como lhe dar com aqueles sentimentos. Estava pálida e com os olhos espantados. Era a primeira vez que sentia assim tão insegura, desprotegida. Quando em seu relógio eram onze da manhã, ela decidiu descer e procurá-lo. Seu relógio sempre fora cinco minutos adiantados pois ela achava q assim nuca chegaria atrasada no trabalho e no fim das contas, ela sempre tirava os cinco minutos quando olhava no relógio, portanto, de nada adiantava o adiantamento, mas ela se sentia bem assim. Mas isso não vem ao caso. Ela desceu, foi até a padaria, banca de jornal, mercearia, bar, cafeteria, lanchonete, e assim andou uns cinco quarteirões e nem sinal dele. Quando já estava desistindo ela viu uma aglomeração de pessoas na esquina da rua 13 que fica a 3 quarteirões abaixo de seu apartamento e foi ver o que havia acontecido. Não queria pensar no pior, sempre fora otimista, mas a situação havia a amedrontado bastante. “O que aconteceu?” perguntou ela. “O carro de sorvete acertou em cheio um homem” respondeu o carinha que vigiava os carros. Poderia ser ele, mas não era. Ela então voltou pra casa e entrou debaixo das cobertas em cima da cama desarrumada e simplesmente ficou ali, quieta. Foi o que ela fez o dia todo. E no outro dia a mesma coisa, e no outro e no outro. Ele não voltaria mais, essa era a realidade, a possibilidade oculta que quis tanto esquecer e desconsiderar havia acontecido. Durante algum tempo, ela perdeu as forças, estava perdida. Não havia mais chão, não havia mais nada, era só ela e o seu abismo. Com o tempo a casa foi ficando empoeirada assim como o seu coração quase que em coma, se cicatrizando a passos quase imperceptíveis. Agora ela sabia que se tratava de um processo doloroso esse. Mas pelo menos a ferida não continuará aberta por muito tempo e em algum momento, ela voltará a si. E vai perceber que não adianta continuar se escondendo atrás da solidão. Nada o trará de volta. E ele vai acabar optando por viver, então vai se recuperar, e vai ver que dentro dela ainda pulsa um coração. Vazio, mas todo dela. E para onde ela leva ele? Para onde ela quiser.


4 comentários:

Winny Trindade disse...

Eu o levo para todo e qualquer lugar, com a esperança de que ele desista de mim e vá embora ou que alguma coisa o preencha.

Abraço meu, amiguinha.

R;* disse...

Já vivi essa fase de que ele se foi e eu não sabia o porquê e nem se voltaria; mas agora é diferente tudo foi bem esclarecido e ele se foi pra sempre. Deve ter sido melhor assim e eu sei que isso é o melhor! A dor ta aqui, mas vai cicatrizar! Tão frágil, tão forte, eu vou conseguir!
Beeijo

ps. saudadees também, vem me visitar!

Lilly M. disse...

Liindo e triste texto.
As palavras encaixaram-se perfeitamenete.
Sucesso.
Beijo meu.

Ana Barreto disse...

Lindo...
confesso que chorei!

Ah..um coração vazio e todo dela é bom... porque é dela!

Beijoo
Amo <3